segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Almoço de domingo!


Detesto almoçar sozinha, tomar café sozinha ou jantar sozinha, no entanto estou aqui, mais uma vez, na praça de alimentação de um shopping, domingo, sozinha! Estou tentando segurar a onda para não derramar umas gotinhas de água salgada no prato e piorar ainda mais a situação. Porém, já perdi a conta de quantas vezes passei por isso aqui, em São Paulo. Percebo várias pessoas na mesma situação, mas eu não consigo me acostumar.

Domingo não é dia de comer em shopping. Domingo não é dia de comer sozinha. Domingo é dia de almoço em família ou com os amigos. Saí da Igreja agora há pouco e ela está celebrando o mês do Amigo. O Pastor falou tantas vezes que nós, cristãos, temos o dever de ser mais companheiros, mais afetuosos e mais próximos uns dos outros. Chegou a contar que Jesus, em seu período de peregrinação e pregação, comia e se hospedava na casa de amigos ou até mesmo na casa de estranhos que lhe abriam as portas.

Sei que não posso reclamar dos amigos que fiz aqui e que muito me apóiam, mas tem hora que é difícil, não dá para controlar esta sensação de estar ‘sozinha’. Tem hora que minha única vontade é voltar para perto da minha família, para minha casa, para os meus amigos de infância, para minha igreja e para minha rua. Neste momento, se Deus pudesse me conceder um desejo, o último de toda a minha vida, seria estar em casa com os meus pais e meus irmãos num belo almoço de domingo. Ah! E o Crack também rodeando a mesa.

Às vezes penso que sou mal agradecida. Devia estar satisfeita por ter comida, por ter trabalho, por estar em São Paulo - algo que muito desejei. Devia estar feliz por ter amigos, vários, e alguns que em pouco tempo tomaram posse de um lugar especial no meu coração. Eu sei que eu podia ligar para alguém agora, mas “pedir”, neste caso, é tão estranho... Soa-me melhor quando é espontâneo e até imprevisível. O convite de um amigo sempre é uma surpresa boa e gostosa.

Senhor, perdoe-me por não compreender os seus desígnios. Sei que estás sempre ao meu lado, apesar de muitas vezes eu não me sentir digna do seu amor e da sua presença. Perdoe-me por minha limitação e por não conseguir enxergar as grandes bênçãos que o senhor está preparando para mim. Perdoe-me pela minha fragilidade e pela dificuldade que tenho de fazer com que o teu Espírito preencha todos os espaços vazios da minha vida”.

Sou grata sim e sempre serei, mas tenho precisado tanto de um abraço forte, de um aconchego, um carinho de Pai, uma companhia que me considere especial. Não digo que o problema é São Paulo, o problema está no coração das pessoas. Mas aqui, em especial, sinto um clima “morno”, relações “mornas”, distantes, não fisicamente, digo emocionalmente. Sei lá! Até com a pessoa com quem eu divido apartamento há mais de seis meses não consegui estabelecer nenhum vínculo de amizade e entrosamento. É meio cada um por si e Deus por todos.

Mas será mesmo que desse jeito eles se lembram de Deus? Tenho minhas dúvidas. Talvez falam por falar, falam para aparecer, por hábito ou, ainda, demonstram “religiosidade” por pura convenção social ou tradicionalismo. Mas lá dentro, em seus corações, falta sentimento, falta calor humano, falta doação e falta comunhão. Cristo sempre quis que nós, filhos e filhas de Deus, aprendêssemos a viver em comunidade, como irmãos, amando-nos e respeitando uns aos outros.

É essa tarefa que nos cabe, mas a neve da indiferença, da frieza, do individualismo, do comodismo e da má vontade tem nos congelado. Alguns já se transformaram em estátuas de pedra, não são capazes de tomar uma simples atitude visando o bem comum ou o bem do próximo. Esqueceram a principal missão que Jesus veio cumprir aqui na Terra: ensinarmos a amar o nosso irmão, como Ele mesmo nos amou. Estamos tão longes disso...

P.S.: E quanto ao fato de estar sozinha no domingo, sei que ninguém tem culpa. São as conseqüências deste mundo moderno e tão “evoluído”. Eu só queria mesmo desabafar!

Um comentário:

Marisa Gusmão disse...

Benção do Senhor. Eu sei que errei por não ter esperado mais,na saida do culto de domingo para ver todas vcs. To com um sentimento de culpa muito grande. De estar tratando de uma amizade que começou tão abençoada e linda como a nossa e estar caminhando desse jeito. Tenho vontade de ti abraçar e ti pegar no colo, irmã minha. Pra falar a verdade aqui em São Paulo, só tenho vcs três de amigas. Não quero te magoar ou te deixar sozinha assim. Depois de ler o que vc escreveu, doeu mais ainda. Quero expressar melhor o meu amor por vc e as meninas. Vamos nos encontrar nesse final de semana.bjs.Que Deus abençoe.